DEZEMBRO RUIDOSO (parte II)

Esta terça-feira (9 Dez.) começa o Pós-Go, um novo ciclo de sessões de música experimental organizado pela ATR em parceria com a Zaratan – Arte Contemporânea e a 1359, que nesta primeira sessão contará com actuações do saxofonista sueco Olle Vikström a solo e também em trio com o saxofonista catalão Albert Cirera e o violinista português Carlos “Zíngaro”! Paralelamente haverá também a continuação do ciclo Play in the Dark, uma série de concertos integrados na exposição individual de Fernando Fadigas, que nesta ocasião incluirá uma actuação da dupla portuguesa de improvisação electrónica Producers e as projecções do vídeo Undercurrent e da peça sonora In.Land (mais info em baixo)

Entretanto a ATR gostaria de chamar pela última vez a atenção para a campanha de angariação de fundos (aka “crowdfunding”) que está a decorrer para apoiar a SuccoAcido, uma revista/site/comunidade artística independente, internacional e multilíngue, sediada no sul de Itália, que já existe há 14 anos. Mais info sobre esta campanha aqui e ali!

PÓS-Go 1 - final (1)

ter. 9 Dez. 19h –  Olle Vikström (se) + Cirera/Zíngaro/Vikström (es/pt/se) + Producers (pt) + Projecções das peças Undercurrent e In.Land @ Pós-Go I + Play in the Dark IIIZaratan – LISBOA

(Rua de São Bento, 432 / donativo: 2 euros)

ZARΛTAN é um artist-run space, um lugar de encontro para o pensamento crítico e experimentação artística interdisciplinar. Embora a sua actividade se inscreva sobretudo na área das artes visuais, a ZARΛTAN desenvolve uma pesquisa mais ampla que  estende e entre-cruza diferentes níveis do panorama da arte contemporânea.

PÓS-GO I

Em colaboração com a Associação Terapêutica do Ruído, a Zaratan desenvolverá uma programação musical regular de concertos experimentais, intervenções sonoras e outros ruídos que começou com o ciclo Pré-Go e que prossegue agora com o ciclo Pós-Go. Movido pelo desejo de intensificar as relações entre a música e as artes visuais, este ciclo dará continuação a um projecto específico de edições gráficas em parceria com a 1359.

Olle Vikström

Olle Vikström foto

O saxofonista sueco Olle Vikström é um dos mais prolíferos artistas da fértil cena europeia de música improvisada. Focando-se principalmente no saxofone barítono, tem vindo a desenvolver um estilo muito próprio em que questiona permanentemente a sua música em busca de mudanças e incertezas. É que se não houverem dúvidas, então não haverá nada para discutir. Nada em que se envolver. Para Olle são as dúvidas que provocam o movimento para um bem maior e não as respostas.

Cirera/Zíngaro/Vikström

Culturgest, Lisboa

Esta será a estreia mundial ao vivo do trio constituído pelo saxofonista catalão Albert Cirera, pelo violinista português Carlos “Zíngaro” e pelo saxofonista sueco Olle Vikström. 

A larga experiência destes músicos resulta numa mistura de três estilos bem distintos onde camadas sonoras são criadas sem estruturas convencionais. Onde os sons saem com uma grande dose de espontaneidade. Onde as ideias chocam em conjunto e se separam da mesma maneira. Onde nenhum instrumento está à frente e onde nem sequer há frente. Onde ninguém fica para trás.

PLAY IN THE DARK III

É uma série de concertos que são integrantes da exposição de Fernando Fadigas e que atravessam diferentes abordagens exploratórias do som. Na mesma sala acontecerão as projecções do vídeo Undercurrent e da peça sonora In.Land.

Producers

Producers foto

No projecto Producers utiliza-se a electrónica nas mais variadas expressões através dos mais variados artefactos, como circuitos analógicos, fitas, sintetizadores ou samples.

Fernando Fadigas e Miguel Sá são dois artistas multidisciplinares com intervenções e criações no contexto da arte contemporânea – música, vídeo, teatro e performance – feito com equipas variadas e em diversos espaços e eventos como: Galeria Zé dos Bois, Fundação Calouste Gulbenkian, Museu do Chiado, Experimenta Design, Festival Número-Projecta, Festival Offf, Culturgest, +Olhares Pocket Fest 2007, FinnFest, Out.Fest (Barreiro), Veneer/folheado (Belfast/Lisboa), La Casa Encendida (Madrid), Mor Festival (Dublin) ou Festival IFI (Pontevedra). Em 2001 fundaram a editora, produtora e promotora Variz, que lançou seis álbuns e organizou concertos de muitos artistas internacionais em Portugal, incluindo Chris & Cosey, Cluster, Frank Bretschneider, Fennesz, Jakob Kirkegaard, Kim Cascone, Ikue Mori, Rafael Toral, Sutekh, Cylob, Nova Huta, entre muitos outros. Como Producers editaram em 2001 o álbum “7/10″ pela Fundação Calouste Gulbenkian e entraram nas compilações “Night Mode” (DVD inserido no catálogo Em_Trânsito, Goethe-Institut Lissabon, 2005), “Portugal: A New Sound Portrait” (CD, N_records, 2005), “Sonic Scope” (CD, Grain of Sound, 2004), “Metrómetro” (CD, Variz, 2003), “Air Portugal” (CD, 00351, 2001).

Undercurrent (duração 4´34)

Undercurrent é uma instalação audiovisual imersiva sobre a fuga. Usa sons de água e a sua imprevisibilidade para construir uma narrativa sonora. Foi filmada durante o inverno dentro de um rio em Aljezur e mostra uma viagem entre o ponto A e o B depois de um curso de mergulho para uma corrente mais profunda.Este vídeo transporta o som para o primeiro plano. Tenta mostrar os vários aspectos sensoriais e peculiaridades que os fenómenos acústicos subaquáticos produzem. O ecrã negro é imperativo para sublinhar tudo isto e enfatizar o som e os detalhes da sua espacialização. Como uma metáfora de sobrevivência, todas as imagens concretas parecem dar as coordenadas num ambiente claustrofóbico e de mergulho, finalizando com imagens de salvação como um final feliz clássico teria.

In.Land (duração 8´)

In.Land é uma peça sonora sobre espaços internos e externo, que retrata a espacialidade sonora da terra e da materia. Neste trabalho, que se configura como uma representação de diferentes camadas acústicas e ambientes sonóros, existem diferentes ruídos e samples que foram gravados no interior da terra. Vários dos fragmentos que compõem a peça foram collecionados por meio de um microfone que é enterrado, imergido, congelado; outros são captações de diferentes substancias e fenómenos acústicos (como o chocar das pedras, as ondas e a areia do mar, o fogo e as brasas)
Alguns sons foram gravados a partir de uma improvisação ao vivo, onde o som é modulado a partir de uma experiência de ebulição realizada com um laboratório portátil instalado no palco. Estreou no EMS13, Electroacoustic Music in the Context of Interactive Approaches and Networks na CGD-Culturgest, Lisboa em 2013.