10 anos de ATR & dSCi (capítulo I)

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Este ano a Associação Terapêutica do Ruído (ATR) e os seus gémeos siameses dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS (dSCi) estarão a comemorar 10 anos de ruído terapêutico com muitas surpresas e a mesma hiperactividade de sempre!

Esta quinta-feira (12 de Janeiro) há o início do Versus – Ciclo de Música Antagónica, um novo ciclo mensal com curadoria da ATR e da Zaratan – Arte Contemporânea que nesta primeira sessão terá actuações de três antagonistas internacionais: o britânico Horacio Pollard com o seu noise abrasivo, o italiano Giulio Aldinucci com as suas paisagens electro-acústicas e o belga Manu Louis com a sua pop pós-moderna! (+ info em baixo e aqui)

E na próxima terça-feira (17 de Janeiro) no Disgraça há o regresso de Sheik Anorak, o one-man-band francês que a ATR recebeu por duas vezes em 2015 (e com a dupla -1 no ano passado) e que desta feita nos vem apresentar o seu trio de black metal noise Neige Morte! A acompanhá-lo estará o mítico trio lisboeta Traumático Desmame, que assim regressa à actividade no ano em que também celebra o seu décimo aniversário! (+ info em baixo e aqui)

Nessa mesma semana (quinta-feira |19 de Janeiro) começa a Convenção Internacional do Ruído Terapêutico, nova residência mensal da ATR no Damas que neste primeiro acto contará com uma palestra de l’ocelle mare, perito francês em ruído acústico que esteve na segunda edição do Festival Terapêutico do Ruído em 2011 e na primeira edição do Mi Casa Es Tu Casa no Barreiro e na Feira do Gado da saudosa Da Barbuda em 2012 (e mais recentemente na Casa Senhora do Monte); com uma conferência sobre ruído tradicional brasileiro de São Bernardo, novo projecto a solo do professor Bernardo Álvares e ainda com uma prelecção sobre ruído gira-disquista pelos Kafunfo noSoundsystem, o indescritível colectivo de djs da ATR! (+ info em breve e aqui)

E para terminar o mês os infames dSCi regressam À da Maxada no dia 28 de Janeiro para participarem no Espaço, um encontro de artes e técnicas que decorrerá neste espaço autónomo em Setúbal de dia 21 a 29 de Janeiro e que incluirá diversas oficinas, concertadas, almoçaradas e jantaradas! (+ info em breve e aqui)

Entretanto continua disponível através do bandcamp d’A Besta a edição digital do tema “Bursite”, o lado A da “Chains Split Tape Vol. 2”, cassete que foi lançada em Outubro do ano passado e que junta os dSCi aos Cardíaco, projecto de exploração sonora deste colectivo/editora bestial! Em breve sairá também a versão digital do lado B (e entretanto a versão analógica continua disponível para venda através d’A Besta e da distro ATR no Espaço Múltiplo @ Zaratan ou num concerto próximo de si)!

12 de Janeiro | quinta-feira | 19h

Horacio Pollard (uk)
vs.
Giulio Aldinucci (it)
vs.
Manu Louis (be)

Versus I
Zaratan
Rua de São Bento, 432 – Lisboa
entrada livre para sócios – quota anual sócio: 3 euros

A Associação Terapêutica do Ruído e a Zaratan – Arte Contemporânea apresentam Versus, um novo ciclo de concertos a acontecer mensalmente na Zaratan.
Seguindo um princípio ecléctico de programação, o pressuposto desta nova aventura musical é juntar projectos diferentes entre si, ou até mesmo opostos, numa mesma sessão. Neste aparente antagonismo procuramos pontos de contacto e/ou de divergência que ilustrem de algum modo a complexidade e diversidade das definições estilísticas da música contemporânea.

A música de Horacio Pollard é como uma avalanche nauseabunda, mas simultaneamente extática, de êxitos estripados e desconstruídos, repletos de graves imundos, harmónicos vaginais e grooves iconoclastas, onde a fúria cáustica de uma flatulência cósmica fica suspensa no espaço morto de um distópico pesadelo húmido kubrickiano. O resultado destas turbulentas experiências sonoras tem sido editado pela Drid Machine, incrível editora norueguesa que também conta com os préstimos de bandas como Noxagt, Sightings ou Ultralyd, com as quais este noisemaker radicado no Reino Unido tem partilhado os palcos.

vs.

Giulio Aldinucci é um activo compositor italiano, versado em música electro-acústica experimental e na exploração de paisagens e ambientes sonoros. Além da sua extensa discografia a solo, das diversas participações em compilações (como “Elements” da editora japonesa Home Normal, “Sound at Work” do centro de pesquisa musical Tempo Reale, fundado por Luciano Berio ou “The Wire Tapper” da influente revista The Wire, entre outras) e das inúmeras colaborações colectivas, Giulio compõe também música para teatro, videoarte, documentários e curtas-metragens e é curador do Archivio Italiano Paesaggi Sonori.

vs.

Manu Louis é um músico, compositor e cantor belga que ao longo da sua carreira tem passado pelos mais variados géneros como o jazz, a música clássica contemporânea, a chanson française e mais recentemente a música electrónica, não só nos projectos Funk Sinatra e The Gardening Group, mas também compondo para orquestras de câmara, conjuntos de cordas ou fanfarras. Em nome próprio tem incendiado plateias com a sua mistura luxuriante e glamorosa de synth-pop, eurodance, arranjos orquestrais exóticos e um sentido de humor único, como tão bem comprova o seu álbum de estreia “Kermesse Machine”, editado no ano passado pela Igloo Records.

17 de Janeiro | terça-feira | a partir das 19h30

Neige Morte (fr)
Traumático Desmame (pt)

Disgraça
Rua da Penha de França, 217 – Lisboa
entrada: contribuições livres – mínimo 3 DIYs

Neige Morte é uma entidade obscura oriunda de Lyon (França), espécie de besta tricéfala imbuída de crueldade que se manifesta através de uma mistura hipotérmica e opressiva de black metal e noise, aparentemente enraizada em terroríficos rituais primitivos. Lentas e tortuosas passagens atmosféricas explodem em riffs gélidos vindos do black e do death metal mais progressivo, como uma ave de rapina que em vez de investir directamente ao pescoço da vítima, prefere persegui-la durante um longo período de tempo e atacá-la inesperadamente logo que os seus ouvidos parecem estar a familiarizar-se com a sonoridade bizarra e de difícil catalogação deste trio.
Provenienente do lado mais experimental e niilista da cena underground francesa, Neige Morte estreia-se Portugal para apresentar o seu terceiro álbum, que foi gravado durante a digressão que fizeram pela Rússia no ano passado e que será editado muito em breve.

Traumático Desmame nasceu numa sexta-feira 13 de Abril de 2007. Foi no bairro dos Anjos, Lisboa, na festa de lançamento da X.U.P.A. (Xth Uselesss Poorductions Anniversary), a partir do convite de alguém que queria ser artista, feito a um músico decente e a um miúdo barbudo. Três personagens essas que na altura andavam a perder tempo com bandas que ninguém conhecia (DSM DCLXVI, Kromleqs, Strip My Dog) e que haviam participado na dita cuja compilação…
Traumático Desmame quer tocar lento, pesado e fodido que chegue, sempre improvisado. Simulando uma refeição de sushi de cisne, rodeados daquele conforto austral do novo mundo. Niilistas, os ensaios são muito (mas muito) melhores que os concertos, porque tal como diz aquele ditado confuciano: não está lá ninguém para os ouvir. As letras se existissem seriam sobre várias maleitas decorrentes ao longo da vida de um infortunado ser humano, do parto ao óbito. Ao vivo apresentam-se sempre às escuras, com suporte visual em vídeo projectando imagens retiradas das obras de diversos realizadores…
Traumático Desmame já lubrificou (ou ludibriou?) audiências ilustres e humildes,  mas ser ecléctico não é ser politicamente correcto. Era suposto só ter havido um concerto. Esperamos sempre que o próximo seja o último…

em breve mais info sobre a CIRT
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