Ao longo deste ano a Associação Terapêutica do Ruído (ATR) e os seus gémeos siameses dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS (dSCi) comemoram 10 anos de ruído terapêutico, eis o terceiro capítulo destas celebrações!

O incendiário duo franco-italiano Putan Club está mais uma vez de regresso a Portugal depois das explosivas passagens em 2013, 2014, 2015 e 2016 e toca em Lisboa esta quarta-feira (8 de Março) no Lounge, seguido de dj set de Mário Valente! (+ info em baixo e aqui)

E esta quinta-feira (9 de Março) há o terceiro acto da Convenção Internacional do Ruído Terapêutico, residência mensal da ATR no Damas que desta feita incluirá um colóquio sobre ruído violinista pelo especialista americano Joey Molinaro, uma palestra sobre ruído rítmico pelo terapeuta do ruído (e membro dos infames dSCi) Gee Bees e mais uma prelecção sobre ruído gira-disquista pelos Kafunfo noSoundsystem, o indescritível colectivo de djs da ATR! Para a ocasião será também reeditado digitalmente através do bandcamp da ATR o álbum “Anarquia à Conta do Papá” de Gee Bees, dando assim início a uma série de reedições de discos que contaram com a colaboração da ATR! (+ info em baixo e aqui)

Na próxima semana (sábado | 18 de Março) continua o Versus – Ciclo de Música Antagónica, ciclo mensal com curadoria da ATR e da Zaratan – Arte Contemporânea que nesta terceira sessão terá como antagonistas o projecto Psico-Free & Manicômio com as suas improvisações dadaístas e a produtora BLEID com as suas explorações rítmicas! (+ info em breve)

E para terminar o mês (quinta-feira | 30 de Março) teremos a estreia do duo guitarra-bateria finlandês NYOS (nova banda do guitarrista inglês Tom Brooke dos Khuda que a ATR teve o prazer de receber em 2012) no Disgraça, acompanhado pelo novíssimo duo bateria-guitarra português: Iguana! (+ info em breve)

Entretanto já está disponível o terceiro volume da Kaüzpellaplatz, compilação de homenagem a João Capela, músico, artista, escritor, activista, terapeuta do ruído e amigo que nos deixou em Fevereiro de 2014. Depois de um primeiro volume com bandas e músicos portugueses e de um segundo volume com bandas e músicos internacionais, este terceiro volume inclui temas de alguns dos projectos nos quais João Capela participou (como os dSCi ou os Da Monstra, entre outros) e além da edição digital via bandcamp da ATR, está também disponível em cassete através da distro ATR (no Espaço Múltiplo @ Zaratan ou por encomenda).

8 de Março | quarta-feira | 22h30

Putan Club (fr/it)
Mário Valente (dj set)

Lounge
Rua da Moeda, 1 – Lisboa
entrada livre

Putan Club é uma célula de resistência artística, iconoclasta e violenta, groovy e evidentemente sexy, caracterizada por um modo de actuar selvagem: voz, guitarra, baixo, computador, avant-rock, industrial, techno/dubstep e muita electricidade e suor, como numa descarga de alta voltagem.
Actualmente constituída pelo músico francês François R. Cambuzat, mítico anti-herói do underground europeu (que além deste projecto fundou também grupos como os L’Enfance Rouge, os Kim Squad, os Gran Teatro Amaro ou os République du Sauvage) e pela jovem, mas experiente baixista italiana Gianna Greco (aos quais por vezes se junta a não menos mítica Lydia Lunch formando assim o Lydia Lunch’s Putan Club), esta célula de terrorismo sónico continua a não deixar ninguém indiferente à sua passagem. Após mais de um milhar de concertos em todo o mundo o Putan Club vem pela terceira vez ao Lounge, depois das inesquecíveis actuações em 2013 e 2015.
Convenção Internacional do Ruído Terapêutico #3

9 de Março | quinta-feira | 23h

Joey Molinaro (us)
Gee Bees (pt)
Kafunfo noSoundsystem (dj set)

Damas
Rua da Voz do Operário, 60 – Lisboa
entrada livre

No cada vez mais fértil panorama das promotoras e demais agentes de disseminação cultural fundamentadas na crença e na verdade, é absolutamente obrigatório destacar o pioneirismo bravo do trabalho incansável desta Associação Terapêutica do Ruído contra todas as intempéries. Entidade gémea dos dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS que tem vindo a a inflamar o tecido cultural deste país com inúmeros concertos e actividades espalhados por todos os locais de interesse neste país, num exemplo de bravura ainda longe de estar devidamente cartografado, mas merecedor do maior respeito e admiração.

No ano em que celebram uma década de actividade, num exemplo quase único de resistência e visão por estes lados, esta cooperativa de meliantes e agitadores fundamentada num princípio comunal de honestidade e coração celebram esse mesmo feito com a Convenção Internacional do Ruído Terapêutico. Nova residência da ATR nesta casa que sempre os acolheu e que se vai estender ao longo deste ano em 10 aparições alinhadas com o espírito inconformista e a vontade que sempre guiou os seus instintos.

Joey Molinaro
Arrancado o metal ao seu militantismo mais conservador são facilmente identificados as suas premissas, códigos, normas e rupturas cuja aplicação se estende muito para além da barulheira infernal que assustou/a tantas famílias – mesmo quando nem era verdade. Levando a ideia de individualismo do black metal a uma conclusão que dispensa as guitarras em tremolo picking e os blast beats, Joey Molinaro recorre a um violino e a percussão feita com os pés para evocar o género em plena paisagem dos Apalaches ao mesmo tempo que resgata a herança punk que contaminou igualmente o grindcore – teve até a audácia de regravar ‘The Inalienable Dreamless’ dos Discordance Axis -, como que a descobrir os pontos de contacto entre o stomp tradicional de ‘Cripple Creek’, o abandono de ‘A Blaze in the Northern Sky’ e as explosões de ‘Scum’ em feras com tanto de feroz quanto de celebratório.

Gee Bees
Primeira aparição a solo em muito tempo deste baterista com actividade há já largos anos em projectos como Rolls Rockers ou dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS, materializado em 2009 com o “intuito de fazer canções com ruídos de fábricas, bombas e todo o caos do mundo que nos rodeia“. Desse estado caótico irrompe uma música onde a electrónica devedora do industrial de uns SPK ou Monte Cazazza ganha através da bateria um corpo onde a energia do hardcore e do rock mais estrepitoso se fazem sentir através de temas furiosos mas injectados por algum humor sardónico não muito distante daquilo que Brian Chippendale – enquanto Black Pus – ou mesmo Ricardo Martins – enquanto R- – têm feito em tempos mais ou menos recentes.

Kafunfo noSoundsystem
Braço gira-disquista da ATR num contínuo natural com os princípios fundadores da mesma. Ou seja, a mesma procura pelo novo, pelo destemido e pelo único em sets de uma imprevisibilidade e demência tão acolhedora quanto inconformista.

textos: Bruno Silva
artwork: José Smith Vargas

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