Durante este mês a hiperactiva Associação Terapêutica do Ruído (ATR) e os seus infames gémeos siameses dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS (dSCi) estão a celebrar 12 anos de ruído terapêutico com duas mãos cheias de concertos!

Esta sexta-feira (24 de Maio) no Damas há a estreia do incrível power-duo norte-americano Qui, juntamente com o lançamento do álbum “Higher than Heaven” de Dead Club e um dj set de Xico da Ladra! (+ info em baixo e aqui)

E no sábado (25 de Maio) os dSCi e a ATR estarão a comemorar o seu 12º aniversário na  Balalaika Party IV, a quarta de uma série de iniciativas que se destinam a angariar fundos para cobrir os custos da Balalouka Tour, digressão que os dSCi vão fazer este Verão pela Rússia, de São Petersburgo/Moscovo a Vladivostoque, com o mítico driver/promotor russo Denis Siggi Alekseev e a sua não menos mítica carrinha Gazelle of Death! Neste quarto evento que irá decorrer na Cooperativa Mula no Barreiro a partir das 17h haverá actuações dos dSCi e dos seus camaradas Asimov, a exibição da primeira versão de um documentário da autoria de Rodrigo Pereira sobre a Pistakio Tour (digressão que os dSCi fizeram recentemente por Espanha, Itália e França), o lançamento de uma fanzine feita pela Aude Barrio sobre a Kschnpsk Tour (digressão que os dSCi fizeram com os Desflorestação por Espanha, França e Suíça em 2017) e ainda um dj set dos indescritíveis Kafunfo noSoundsystem, o colectivo de djs da ATR! (+ info aqui)

24 de Maio | sexta-feira | 23h

Qui (us)
Dead Club (pt)
Xico da Ladra (dj set)

Damas
Rua da Voz do Operário, 60 – Lisboa
entrada livre

Qui
Duo vindo de Los Angeles que já contou com o mítico David Yow (Jesus Lizard, Scratch Acid) como membro efectivo e anda aos anos a contribuir para a celeuma benigna do rock mais bastardo e orgulhosamente desalinhado das paisagens norte-americanas. O núcleo duro de Matt Cronk e Paul Christensen – guitarra e bateria, respectivamente, com ambos a assumir o delírio das vocalizações – como uma espécie de centro gravitacional em torno do qual vão pairando algumas das figuras mais notáveis do circuito resistente do estrilho e da estranheza; além de Yow, a dado ponto contaram com os préstimos de gente como Dale Crover (Melvins), Trevor Dunn (Mr. Bungle, Fantômas, etc.) ou Justin Pearson (The Locust) que lançou na sua Three One G o último álbum destes meliantes – “Snuh”. Boas credenciais destes dignos resistentes da tradição weirdo muito americana e DIY de uma vida na estrada a tocar em pardieiros, dos 7″ e splits, da urgência, da conflagração do rock, do noise, prefixo-core e punk em algo bem fora, de editoras como a Load, Skin Graft, Ipecac ou Troubleman Unlimited. A bateria em espasmos e linhas de guitarra ácidas com muito jogo de cintura para acolher a melodia e pedaços harmónicos bem cantaroláveis. Bem aventurados sejam.

Dead Club
Após o breve exorcismo enquanto acto de celebração na mesa de inox desta casa no último aniversário, Violeta Espectro regressa agora com mais tempo para apresentar “Higher Than Heaven”: álbum de estreia a solo após EP iniciático neste Dead Club com “Bulldozer for a Rose”. Comparativamente dá passos seguros em direcção a uma identidade mais vincada, o tom monocromático do electro-rock a lembrar virada pop dos NIN após ‘Pretty Hate Machine’ na crueza minimal wave, ganha agora mais cores e cabeça. O coração continua todo lá, as verdades escancaradas, mas o asco vem agora embrulhado em veludo, os sintetizadores mais envolventes, as batidas mais contundentes, mais parcimónia nos arranjos. A aura punk, o luxo rafeiro do glam, o lado nocturno do trip-hop e uma voz sibilante do lado do rock. Com o pulso das baterias de Alix Sarrouy e Pedro Melo Alves, Violeta convida-vos para fazerem parte desta noite e dos seus pensamentos.

Xico da Ladra
Enfim, figura ímpar do djing e do digging baratinho, muito querido desta e de várias casas desta cidade. Amealha aqueles CDs que vão sendo descartados à sombra do fetiche com o vinil e do free for all digital, por entre achados, clássicos e aquelas compilações que fizeram a adolescência de muita gente ainda sem peneiras. Vale tudo, mas há aqui todo um conhecimento e entusiasmo para sustentar a abordagem. E é dos que melhor sabe aquilo que faz uma bela festa.

(textos by Bruno Silva)