Esta semana há dose dupla de ruído terapêutico: na quarta-feira (11 de Setembro) no Disgraça com Videoiid, novo trio sueco de no wave/noise do músico francês Frank Garcia aka Sheik Anorak e com Panelak, noisemaker inglês radicado em Lisboa e na quinta-feira (12 de Setembro) no Damas com Arabia Saudade, banda italiana de punk tropical cantado em português e com Deux Boules Vanille, duo francês de techno-psych-kraut-rock! (+ info em baixo e aqui e ali)

E no sábado (14 de Setembro) alguns terapeutas do ruído (e membros dos infames dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS) juntam-se ao camarada José Smith Vargas sob o nome Abrótias para participar no “O buraco saiu à rua num dia assim”, segunda parte do lançamento do pasquim satírico pró-lírico Buraco da Torre do colectivo portuense Oficina Arara que decorrerá no Aposentadoria a partir das 20h e que além de um jantar vegetariano, vai reunir uma caterva de malfeitores sonoros e meliantes gráficos e apresentar uma exposição de base adstringente seguida de uma sessão estapafúrdia de concertos e performances! (+ info aqui)

11 de Setembro | quarta-feira | 20h-22h

Videoiid (se/fr)
Panelak (uk/pt)

Disgraça
Rua da Penha de França, 217 – Lisboa
entrada: contribuições livres – mínimo 3 DIYs | jantar vegano

Videoiid é a mais recente aventura de Frank Garcia, multifacetado músico de Lyon (França) e fundador da editora Gaffer Records que presentemente vive em Gotemburgo (Suécia) e que já actuou por diversas vezes em Portugal, não só com o seu projecto a solo Sheik Anorak, mas também com os Neige Morte e os -1. Neste seu novo e promissor trio Frank toca bateria e canta com os guitarristas/vocalistas suecos Sara Jansson e Arvid Bjurklint e o resultado é uma mistura enérgica e brutal de noise, no wave e punk, reminiscente de bandas como Arab Radar, US Maple ou Sonic Youth da fase inicial. Vêm a Lisboa pela primeira vez para apresentar o seu segundo EP a ser editado em vinil brevemente.

Projecto a solo do britânico Pascal Ansell, actualmente a residir em Lisboa, Panelak procura adaptar a experimentação pura e o ruído em canções de corpo inteiro. Recorrendo a uma electrónica caleidoscópica, cacos de ruído, estalos de guitarra e uma poesia de escritório cantada na tradição dos barbershop quartets para daí erigir canções na iminência do descontrolo, mas de enfoque e intriga constante. Figura fulcral no seio da música experimental de Leeds, Ansell é também promotor e mentor da editora Angurosakuson e o seu último álbum “The Om Tragichord” teve edição em 2015 pela LF Records de Bristol. (texto by Bruno Silva)

12 de Setembro | quinta-feira | 23h

Arabia Saudade (it)
Deux Boules Vanille (fr)

Damas
Rua da Voz do Operário, 60 – Lisboa | entrada livre

Arabia Saudade
Trio italiano nascido no seio das movimentações punk e DIY mais férteis e corajosas desse país para todo o lado. Após a edição de “Americ” em 2017, a banda formada por Dave, Cava e Superfreak juntou-se aos conterrâneos Caveiras e lançou já este ano o split “Le Petit Senegallia/De Volta à Liberdade”, naquele que é provavelmente o primeiro disco de inspiração italiana até hoje cantado em português, por italianos com devoção ao espírito nómada dos Sun City Girls e à hiperactividade groovy dos Minutemen. Fascínio inusitado pela língua portuguesa – pouco afamada pela sua musicalidade na versão europeia – traduzido em temas curtos e incisivos conduzidos por ritmos gingantes de baixo e bateria e estalos guitarras muito pós-punk de riffs e ângulos incertos, com vozes a clamar por nostalgia de lugares que nunca o foram.

Deux Boulles Vanilles
Duo francês formado por Loup Gangloff e Frédéric Mancini, ambos em baterias quitadas que através de triggers accionam notas de sintetizador. Proposta muito pouco usual que faz do ritmo o propulsor para a melodia – literalmente – através do ataque e do baque das baquetas nas peles e ferros das baterias. Tudo muito orgânico e enredado em polirritmos que se acercam da dança e da hipnose, através da repetição, de variações fantasma e balanço como que a conjurar os elementos primordiais de algum pós-punk mais percussivo – Liquid Liquid ou 23 Skidoo -, do legado de Fela Kuti, do minimalismo de Muslimgauze e do techno num ataque mimético tão celebratório quanto aventureiro.

(textos by Bruno Silva)

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